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![]() Via Verde : Sem Paragens
A Via Verde é um sistema bem conhecido dos portugueses. Agora, a Brisa ataca com mais um sistema inovador, o Access.
www.viaverde.pt Certamente que já apanhou congestionamentos de trânsito à saída das auto-estradas, especialmente à hora de ponta. Agora imagine esse volume de tráfego e multiplique-o por sete ou por oito. Caótico, não é? Pois isso era exactamente o que aconteceria caso não existisse a Via Verde, um sistema simples e prático que já tem cerca de 1,2 milhões de utilizadores em Portugal. Desenvolvido pela Brisa em 1991, por alturas da abertura da auto-estrada Lisboa/Porto, a Via Verde foi um sucesso imediato junto dos automobilistas (nessa altura eram já 90 mil clientes) e um dos primeiros sistemas de controlo de tráfego da Europa. Mas a grande conquista da Brisa aconteceu em 1995, altura em que este sistema, ainda experimental e limitado, foi substituído por um circuito activo aplicado a toda a rede concessionária que permitiu identificar e taxar os automobilistas independentemente do seu local de partida e de chegada. Com esse passo, a Brisa "ficará na história como a primeira empresa do mundo a aplicar um sistema de teleportagem dinâmica universal a todo um país", sublinha José Braga, director-geral de exploração daquela concessionária. José Braga reclama ainda para a Brisa a façanha de ter montado este sistema em apenas seis meses. Como consequência, no início de 1996, o número de aderentes já ultrapassava os 200 mil e, desde então, a Via Verde tem registado um crescimento a rondar os 150 mil novos clientes por ano. Para o sucesso desta invenção, José Braga destaca a parceria que desde o início se estabeleceu com a SIBS, já que "para ter larga difusão, o sistema precisava de se apoiar num sistema que fosse também generalista e largamente aceite". Entretanto, a Brisa acabou de lançar, em parceria com a Galp, um outro produto inovador, o Brisa Access, que aproveita as potencialidades do sistema Via Verde para parques de estacionamento e bombas de gasolina, prevendo no final do primeiro ano de funcionamento ter pelo menos 100 mil utilizadores. "Neste caso não foi necessário tanto desenvolvimento tecnológico; a inovação é mais ao nível de uma nova funcionalidade". Como funciona a Via Verde?
À excepção dos casos de infracção, todas as transacções da Via Verde são processadas electronicamente. Os diversos equipamentos instalados na portagem de saída recolhem, classificam e validam todos os dados do veículo. Através dos identificadores recolhem-se os dados do cliente, a classe do veículo e o número de série do identificador (o equipamento colocado no retrovisor). São esses dados que, processados juntamente com a informação da portagem de origem e destino, definem a taxa a cobrar ao cliente, valor exibido no display aquando da transacção. Esses elementos são canalizados para o sistema central onde são agrupados de forma a constituírem grandes grupos de transacções que, através da SIBS, são processadas em cada uma das respectivas entidades bancárias, ordenando o débito nas contas dos clientes e transferindo esse mesmo valor para a Brisa. O tratamento e gestão da base de dados da Brisa é feito atendendo a "altos conceitos de reserva e de privacidade". Quanto às informações da conta do cliente, a Brisa apenas tem acesso aos códigos fornecidos pela SIBS onde a única informação disponível é o número do identificador e a confirmação da operação.
28 anos sob rodas
A Brisa nasceu em 1972, assim que lhe foi entregue a concessão da rede de auto-estradas por um prazo de 50 anos. Dois anos mais tarde, arrancam as primeiras obras do que haveria de ser a rede de auto-estradas do país, mas a construção da A1 (Lisboa-Porto) só ficaria concluída em 1991. Essa altura marca o arranque definitivo da empresa como construtora e exploradora deste serviço, aplicando, nesse mesmo ano, o conceito da Via Verde - a primeira geração. Quatro anos mais tarde nasce a segunda geração da Via Verde, um sistema inédito à escala mundial que garantiu àquela empresa o primeiro prémio de inovação do IBTTA (International Bridge, Tunnel and Turnpike Association). Actualmente a Brisa administra oito auto-estradas.
Desde 1999 que 81 por cento do capital da Brisa se encontra disperso em bolsa sendo que quatro accionistas minoritários detêm o restante capital (Direcção Geral do Tesouro - 4%; IPE - 5%; Caixa Geral de Depósitos - 5%; e Grupo Mello - 5%). Mas nem sempre foi assim: depois de dois anos como companhia privada, a Brisa foi nacionalizada em 1975 para depois ser privatizada novamente 12 anos mais tarde (1997) em 35 por cento. Nos dois anos seguintes tiveram lugar a segunda e terceira fases de privatização, alienando 31 e 20 por cento. |
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